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Inspira, transpira

​Hazel Swayne é uma pessoa que me inspira. A vida dela não tem muito em comum com a minha. Nos conhecemos há uns anos num café, minha sócia e eu, ela e o Marido, Iñak Escudero, para uma conversa sobre educação, enquanto os três filhos deles jogavam ipad na mesa ao lado e nos interrompiam a todo minuto, pedindo atenção. Como a referência no assunto, ali, eram eles, me precipitei em não guardar uma boa primeira impressão.

Ela é peruana, ele é espanhol, moravam em Nova York e estavam de passagem por São Paulo. Se vieram a trabalho, não era fácil dizer. A visita de três semanas era uma escala da jornada educativa que escolheram fazer com os filhos. Há meses que viajavam o mundo visitando centros educacionais renomados, desvendando as melhores tendências, enquanto se expunham às culturas do mundo. Se o ipad pode atrapalhar um projeto grandioso desse, hoje não vejo assim.

Acompanho um pouco seus passos pelo @learninggypsies no instagram. Da inveja à admiração, sempre me pergunto de onde as pessoas arrancam coragem, criatividade, sensibilidade e sensatez para largar sua estabilidade e tudo o que conhecem e acham que podem esperar, pelo gigante desconhecido. Mas depois de completar a maratona de Paris, a Hazel me dá uma pincelada do que poderia ser uma das respostas.

“Pensei que eu andaria a maior parte, mas eu corri, corri todo o percurso!!! Com meu tutor e torcedor da vida cantando e sorrindo a cada km. Iñak correu mais 40 minutos mais devagar do que está habituado, só para cruzar a linha de chegada segurando a minha mão. Quero compartilhar 8 aprendizados que servem para a vida:hazel

  1. Iñaki sempre recomenda a qualquer um que pretende correr uma maratona pela primeira vez, que sorria. Fiquei curiosa sobre esta dica e descobri seus benefícios: sorrir de propósito altera a química cerebral e cria uma função imunizadora que diminui a pressão arterial e alivia dores. Então eu sorri por todo o caminho, principalmente quando pensei em desistir. E vou continuar sorrindo pela vida, não importa a circunstância.
  2. Abrace a raça humana. Nós vimos de tudo, de um homem cego a um avô bem velhinho e todas as possibilidades que existem entre um e outro. Todos se respeitando, se apoiando e festejando com os outros. Tire um momento para olhar ao redor e admirar as pessoas pelo que elas são.
  3. Tenha sempre um lenço à mão. Correr causa diarreia em 71% dos corredores de longas distancias. Eu fui um deles e tive que parar no km 26 num banheiro extremamente desagradável. Foi uma das experiências mais traumáticas que me lembro até hoje.
  4. O tempo é relativo. Fiquei obcecada em manter o passo e terminar a prova num bom tempo. Mas a parada para ir ao banheiro me atrasou e recomeçar foi o mais difícil. Graças ao Iñak eu superei minha obsessão pelo tempo e só assim pude retomar o fluxo.
  5. Torcer pelos outros é como uma droga para quem recebe. Não consigo explicar a sensação de chegar ao km 37, com baixa oxigenação do cérebro e os batimentos cardíacos quase entregando os pontos, e sentir nova energia com cada sorriso, cada estímulo, cada torcida, cada toque de mão das crianças. Então, por favor, torçam pelos outros sempre.
  6. O cérebro é o musculo mais poderoso! Me senti em transe. Minhas intensão era cruzar a linha de chegada e nossa intenção é o que nos leva ao resultado. Acredite.
  7. Família e amigos são nossa força. Demos o melhor de nós quando lembramos dos nossos filhos, familiares e amigos, e pensamos que fazíamos por eles. Nossas filhas Alani e Amaia gravaram mensagens para que escutássemos ao longo do percurso e foi importante saber que estavam com a gente quando precisamos.
  8. Mantenha-se hidratado e coma saudável. Seu corpo vai agradecer, especialmente quando você passar dos 40.

Agora começa o treino para o meio triathlon!…” Que sua nova intenção te leve a grandes resultados, Hazel. Estaremos esperando os seus novos aprendizados para mais inspiração.

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Da fome à gula

Tem dia que quero mudar o mundo.Tem dia que sou insignificante demais para existir. E então tem as histórias que tornam alguém tão grande, que o mundo vira uma bolinha de gude, uma criança de colo, um grão arroz, de comer numa bocada só.Essa menina Ebiliane, que eu conheci hoje, hoje me emocionou pela sua grandeza, por querer abraçar o mundo, por querer comer tudo sem mastigar, por querer fazer do mundo, o seu brinquedo. Ela não é mãe, mas quer pegar o mundo no colo e cuidar como se fosse seu.

Nascida na roça, no interior da Bahia, ela cresceu certa de que chegaria lá. E “lá” era qualquer lugar aonde ela escolhesse ir. Cresceu paulista da periferia, com dificuldades que não são fáceis nem de contar. Aos doze anos, essa menina que, na infância, passou fome, trocava com as crianças da sua comunidade, armas de brinquedos por livros. E a sede de ser e acontecer só aumentava. Antes de se formar na escola, ela já questionava o acesso dos jovens à tecnologia, reflexão que virou monografia.

Depois, ganhou bolsa e fez faculdade, participou de congressos internacionais como jovem empreendedora, fez projeto social, tornou-se empresária da educação e dá aulas sobre a arte de brincar para educadores, todos mais velhos do que ela.

A história da Ebiliane tem preconceito, tem superação, mas as lágrimas, quando rompem a barragem da Ebiliane, carregam mainha. Foi mainha quem acreditou primeiro que, nascer na roça, não era destino. Foi ela quem contou às filhas que as suas limitações não eram as delas.

Da fome à gula, Ebiliane ainda quer mais. Ela quer fazer do mundo um lugar melhor, onde os pais acreditem que as crianças vêm prontas para aprender e para crescer, se a gente deixar. Ela me disse, hoje, que trocaria todos os luxos com que poderia sonhar, pela oportunidade de ver qualquer criança pisar na terra e pegar minhoca. É nisso que ela investe. É esse o seu convite para quem quer educar.

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Para mim, essa história conta que, mãe, é o maior legado que alguém pode carregar na vida. É mãe que vê o tamanho da nossa fome e quanto do mundo a gente pode devorar.

Quando eu crescer, quero ter uma história como a dela, para contar.

Conheça um pouco mais sobre os trabalhos da Ebi!