Família, Felicidade, infância, maternidade, por Vivian Wrona Vainzof, relações afetivas

Feito Passarinho

Quando se tem filhos em casa, os anos são vendaval e os dias rastejam longos e medíocres. Quando vejo, os dentes de leite já derramaram, não encontro a chupeta nem as fraldas, e ainda estou impaciente para terminarem o jantar.

Quando os machucados já não saram com beijo, quando já não preciso mais amarrar os seus cadarços, nem fechar a água do chuveiro; quando os choros estão mais altos mas começam a rarear; quando escolhem suas próprias músicas e contam sua própria história, continuo esperando eles adormecerem com a luz acesa, porque tenho medo do escuro.

Os roxos das canelas e uma cicatriz na testa são o rastro da infância , são meu baú de reminiscências, que eu guardo a oito chaves.

E depois? Quais serão suas escolhas?

Hoje o dia amanheceu ensolarado e eu também. A família toda se arruma para sair, cada um para o seu encontro. Não me lembro disso ter acontecido antes. A cena é leve e sorridente, em tons pastéis.

Sentada no meu jardim, com uma xícara de café, assisto eles nascerem.

Um menino bonito de cabelo arrepiado sorri pra mim e me arrepio de ver que ele sabe o que quer. Ele tem gosto por saber e por querer, sem querer saber o que podem achar disso. E eu continuo com medo de soltar da mão, porque acho que ele pode desequilibrar.

O outro me pede mais 10 minutos de infância, vai crescer criança. Um pequeno só de tamanho, Golias para acreditar, e que se aninha no meu no colo feito passarinho.

Bons encontros, meus amores.

Bom passeio.

Não voltem tarde, juízo, divirtam-se. Cresçam saudáveis e felizes.

Amanhã de manhã já pode ter se passado mais 20, ou 60 anos. E eu estarei fazendo o café, para sentar no jardim e poder assistir vocês nascerem.

DiasDourados_jardim

Anúncios
casamento, desafio, Felicidade, por Vivian Tempel Wroclawski, reflexão, relações afetivas, viagem

Em busca de equilíbrio

Eu estava tentando me entender com as marchas. Observando os outros, aquilo parecia tão natural quanto pedalar, mas, para principiantes, manter o equilíbrio pra não cair é o mais importante e minha atenção estava totalmente voltada a essa tarefa.

Já não lembro se perdi a capacidade de fazer 12 coisas ao mesmo tempo depois de ter filhos ou se ela foi se perdendo com o passar dos anos, assim como os fios do meu cabelo. O fato é que hoje preciso me concentrar numa única tarefa por vez. Se estou lendo uma notícia, sou incapaz de escutar o que as crianças estão conversando na mesa do café; se estou escrevendo um email, não há meio de ouvir uma ideia que surgiu no escritório e que precisa ser dividida naquele instante. Preciso parar de escrever, sintonizar o outro canal e escutar a ideia com minha atenção plena. Essa mudança de canal não leva mais do que 1 segundo, mas essa micro pausa é como meu cérebro consegue dar conta de tanta informação e estímulo. Acho até bom que seja assim. Gosto de pausas.

A palestra que assisti do professor de Harvard Tal Ben Shahar sobre o curso “A ciência da felicidade”, falava da importância de pausas para uma vida e mente equilibradas. Pequenas pausas ao longo do dia, como um café, um telefonema que não diga respeito ao trabalho, meditação; e grandes pausas ao longo do ano: férias. Breves ou longas, perto ou longe de casa, uma profunda e verdadeira quebra na rotina.

Tento cumprir anualmente o preceito. Me permito tirar férias com as crianças, me obrigo a tirar férias a dois e, nos últimos anos, percebi também a importância de estar um pouco sem nenhum deles, só entre amigas. Ainda não me aventurei a viajar sozinha, mas pode ser uma próxima experiência. Esse tempo longe de casa, do casal, dos filhos, ajuda a gente a enxergar nossa vida de fora e ajustar pequenas peças que foram se desencaixando no meio do caminho. O momento intenso com cada um também permite outros acertos, cria memórias, redefine, reafirma.

Dessa vez passei pouco mais de uma semana longe das crianças. E me aventurei a algo novo. Me desafiei a uma viagem de bicicleta. Não aprendi a pedalar quando eu era criança, talvez porque minha mãe não sabia, talvez porque não era um hábito na minha família. Mas há uns 10 anos, quando me tornei mãe, achei que era hora de corrigir o equívoco para não deixar o legado a meus filhos, e aluguei uma bicicleta pra tentar, sozinha, superar a vergonhosa falta de habilidade. De lá pra cá, devo ter subido umas 10 ou 15 vezes em uma, sempre tensa, mas cheia de vontade e esperança. Aprendi a me equilibrar, a fazer curva e, ano passado, num susto, me vi pedalando 20km numa estrada de terra cheia de pedras e buracos. Chorei, caí, sangrei, mas fui até o fim. Precisei de um ano pra me recuperar da experiência e decidir que uma viagem de bike faria muito bem pra mim, que adoro um desafio, e para o equilíbrio do meu casamento.

A bicicleta era ótima, cheia de marchas; o cenário, cinematográfico; a companhia, a mais segura e acalentadora; e a coragem e vontade, de uma criança aprendendo a pedalar. Mas as subidas eram mais longas do que eu previa, as estradas mais movimentadas do que eu podia imaginar, e as dores desconhecidas na perna, quase me fizeram parar. Pensei nos meus filhos e em quanto tento incentivá-los a não desistir, a curtir o que estão vivendo apesar das dificuldades, a reduzir os incômodos e dores a simples incômodos e dores, a apreciar a paisagem. E, com eles, meus filhos e meus pensamento, fui até o fim. Subi a montanha mais alta, já dominando as marchas, como se fizessem parte do meu corpo e, exausta, mas orgulhosa, me deleitei no prazer do que eu via e vivia.

Alguns ajustes foram feitos nesses dias longe de casa, alguns planos foram traçados e a respiração voltou a fluir normalmente. Estou pronta para mergulhar na rotina de novo, pronta para novos desafios.

 

EmBuscadoEquilibrio

Família, Felicidade, Matutaí, por Vivian Wrona Vainzof, Receitas, relações afetivas

Um ano bom e doce, shaná tová!

Quando os doces começavam a brotar lá em casa, caixas e mais caixas de pães de mel, chocolates, marzipã, bolachinhas açucaradas, brigadeiros, biscoitos em forma de estrela, de favo, de abelha, bolos de maçã e muitas coisas de lamber os dedos e os beiços, eu já sabia que o ano novo estava chegando. A sensação é parecida com aquela das ruas decoradas com neve artificial e papai Noel, mas sem o apelo comercial que traz os panetones cada vez mais cedo.

O Réveillon religioso não se dá ao raiar do dia mas com o pôr do sol. O chamado também é para dias festivos em família, mas invoca mais profundidade, pelo menos para mim. É mais recolhido no horizonte do que aceso em cores. É mais forte e mais carregado. Recentemente, notei que os presentes estão mais escassos e as caixas encolheram. Antes, os doces forravam toda a mesa da sala, agora se juntam, tímidos, num canto do aparador. Em vez de chocolates, recebi mais cartões. Não faz mal. De carona, acho sensato poder conter os exageros do açúcar, da ostentação, do desperdício, sem deixar de lado o carinho e a generosidade dos votos de ano novo.

Tradicionalmente, os desejos judaicos são para “um ano bom e doce”, e não um “feliz ano novo”. Matutei sobre isso. Conversei com meus filhos para tentar enxergar da altura que mais gosto de ver a vida. Entendi que a felicidade é efêmera e por isso mesmo passamos a vida toda tentando alcançar. Mas se a vida for vivida em boa companhia, com boas risadas e um bom vinho, não parece de bom tamanho? Se pudermos seguir por um bom caminho, de boas notícias e boas surpresas, com boa música, em boa saúde e com boas lembranças, o que mais podemos pedir a D´s? Só mesmo que seja doce.mesadedoces

educação, isabelle borges, Matutaí, reflexão, relações afetivas

Medo de errar

E se eu errar? E se eu não conseguir? E o que vão pensar de mim?

Você já se deparou com alguma dessas perguntas? Por que será que temos tanto medo do erro? E considerando que não podemos viver sem ele (porque, sobretudo, somos humanos) como podemos lidar com esse medo?

Costumo brincar que estamos na sociedade do corretor automático. Como as palavras que se consertam sozinhas em uma mensagem, nós queremos que as pessoas se consertem, não permitindo o tempo e nem a possibilidade do erro, porque ele precisa ser eliminado e não visto.

O olhar sobre o erro tem a ver com nossa história, com a forma que damos significado a ele. Podemos pensar, por exemplo, quando éramos crianças e brincávamos de dança das cadeiras. Quem errava estava fora do jogo. Muitas brincadeiras são construídas com essa estrutura e de algum modo o erro se associa àquilo que te afasta da conquista, quando ele pode ser justamente aquilo que te leva até ela.

O medo de errar está muito associado ao medo da culpa e do julgamento. Crescemos em uma estrutura que nos culpabiliza quando erramos e o peso da culpa é muito difícil de aguentar. Não queremos ter que lidar com isso.

Mas a culpa paralisa e não nos permite avançar. Ela vive de passado e não te coloca em posição de liderança para agir. Sempre procuramos culpado pra tudo, porque ninguém quer sustentar o peso do erro. Nunca agradecemos àqueles que erram. Muitas vezes deveríamos ter gratidão ao “errador” porque a ação dele pode nos possibilitar a rever o mundo e evoluir.

Não é um lugar de venerar o erro e negar as coisas ruins que possam vir com ele, mas sim olhá-lo em toda sua completude. O exercício é de gerenciar o erro e não eliminá-lo.

Nesse contexto, as crianças saem muito prejudicadas, pois elas estão em uma descoberta humana que é inerente ao erro e não possuem muitos recursos para gerenciá-los. Nós adultos, diversas vezes, ao invés de ajudá-las a desenvolverem ferramentas para lidar com os erros e seus ensinamentos, temos uma reação de gerar culpa na criança, acreditando que de algum modo ela não errará mais. O erro é usado como algo a ser punido e arrumado e não algo a ser aprendido. Trocar a culpa pelo aprendizado é o grande desafio.

Muitos de nós crescemos nesse cenário, desenvolvemos o medo de errar e continuamos reproduzindo padrões. O erro só é inútil e um peso se você negá-lo, jogá-lo pra outro ou não reconhecer a potência criadora que existe nele.

Há três pontos cruciais sobre o erro e o medo de errar:

  1. Aceitar que suas escolhas e ações são passíveis de erro, porque você está aqui nesse mundo em processo de desenvolvimento humano e que seu erro não muda sua essência;
  2. Temos a tendência de defender que quando erramos foi sem querer, mas quando o outro erra, eu o julgo e o culpo. Para já com isso! Sem perceber você retroalimenta um sistema de erro-culpa e não permite que o outro possa aprender e enxergar a possibilidade de desenvolvimento. Isso também volta pra você e atrapalha seu processo evolutivo.
  3. Ressignificar o erro: olhar na cara do erro e perguntar “Ei você, o que veio me ensinar?”. Perceber que ele pode te ajudar a subir um (ou vários) degraus no processo de desenvolvimento humano. Que ele tem a potência de lhe aproximar daquilo que deseja se você olhar pra frente e ver como a partir dali pode ser diferente.

Se permitir ser vulnerável e reconhecer sua humanidade te fortalece e te possibilita arriscar a ser quem se é, permitindo sua capacidade de criação e de realização no mundo.

medodoerro

férias, leitura, livros, Matutaí, por Vivian Wrona Vainzof, relações afetivas

Por uma vida com prateleiras amarelas

Desde muito nova eu soube que era apaixonada pelo caos de São Paulo, por 6a feira depois do trabalho, por abraço de matar saudades, por olhar de cumplicidade. Algumas coisas simples que tiram a insignificância da vida. Tem dia que me dou o luxo de ir sozinha em cinema de rua pelo puro prazer frugal. Compro uma revista na banca e sento comigo num café. Deixo o carro destrancado para achar que posso confiar.

De vez em quando, e mais ainda nas férias, me permito alguns luxos que nem sempre consigo quando a rotina cimenta os dias mais comuns. Há dias em que a cidade é mais cinzenta e que a cinza é mais sufoco e que o tempo mura as chances de muitos escapes.

Mas às vezes, acho uma fresta para um passeio sem destino e faço de São Paulo minha cidade interiorana, caminho daqui ali só para comprar uma barra de chocolate, mas o que quero mesmo é cumprimentar o mecânico da rua, o menino que trabalha há décadas na minha padaria, a costureira que passeia com o cachorro magricela depois que o sol se põe. Ela mora no sobrado da esquina, em cima da oficina. Às vezes ela me enxerga da janela mas não sei se me reconhece, porque eu aceno da calçada e espero a resposta, mas ela apenas sorri. São luxos que deixam a vida despida dos paetês que empapuçam os dias, se a gente deixar. E se a gente deixar, os dias viram concreto no nosso sapato, bem debaixo dos nossos pés.

Ontem, de férias, caminhava sem destino certo, de mão dada com filho, papo solto, livre da muralha do tempo, olhávamos as lojas da rua, os pedestres, os carros que sobem a ladeira apressados sem ver nada. E sem esperar nada, sem procurar coisa nenhuma, achei uma dessas coisas que tiram a insignificância dos dias e dão luxo na nossa vida.

Uma prateleira amarela, pendurada no muro que ja foi branco, na entrada da loja, convida os passantes à leitura generosa e compartilhada. “Leia, doe”. Você pega o que quiser e deixa, em troca, o que tiver. A prateleira se renova, os leitores se revigoram. Um passarinho verde, pintado no muro, escuta o pensamento de quem passa, só para cantar mais alto qual foi a emoção de cada um.

prateleiraamarela2

Achei linda a oportunidade de lembrar ao meu filho que a cidade de pedra não é selva, que o cinza de São Paulo tem muitas cores e que, por trás do concreto tem alguém, sempre.

Nem sempre prateleira e nem sempre amarela, contei a ele, naquele passeio, que a gente sempre vai se deparar com cenas, com ideias e com histórias que nos renovam e nos revigoram, que nos despem da crueza e da rudeza dos dias de cimento. E que precisamos estar de olhos bem abertos para não perder nada e poder viver o luxo desses dias em que caminhamos de mãos dadas, papo solto, vendo e sentindo tudo o que a vida tiver para dar, pra ler, pra doar.

amor, Família, Matutaí, por Vivian Wrona Vainzof, reflexão, relações afetivas

Matutaí: O que você acha do dia das mães?

Perguntei para algumas pessoas próximas, que eu confio e admiro de formas muito variadas, quase todos mães e pais, mas todos eles, filhos: “o que você acha do dia das mães? ”

Recebi muitas respostas imediatas, simples e diretas, que estavam, provavelmente, guardadas nas prateleiras baixas de uma vitrine das ideias que alguns têm da vida e das relações com as pessoas. Depois vieram umas outras, cobertas de um resto de pó que insiste em encobrir os pensamentos que ficam armazenados no quartinho do fundo, não por serem mais preciosos, mas por serem mais antigos e talvez muito antiquados. Não sei se são. Acho que ficam ali, aprisionados no tempo e cada vez mais difíceis de encontrar, mas são os que nos trazem mais frescor, já que convidam a repensar. Fui lendo as respostas e procurando onde estaria guardada a minha.

Gostei de ler nas entrelinhas, a perspectiva de mãe ou de filho na reflexão de cada um. Não depende muito de idade a pessoa ser mais mãe ou mais filho. É da gente e acho que não passa nunca. Pra mim, 10 anos depois de ser mãe, nesse dia eu ainda gosto de achar minha mãe a mais bela, de ver como seus olhos verdes e seu sorriso largo me acolhem, como o seu abraço é macio e eu ainda posso me encolher no colo dela.

Por muitos anos eu acreditei que a data tinha perdido completamente a essência emocional, com a obrigação da presença em dia e horário marcados, o presente, as filas nos restaurantes lotados, e os encontros, tão vazios. Recebi considerações sobre o abuso comercial dessa data, a pressão cultural de uma sociedade consumista, alguns levantaram a bandeira de que todo dia é dia das mães.

Pode ser. Mas pensando bem, eu acho muito linda a ideia de celebrar a maternidade e honrar a figura da mãe, ainda que ela esteja numa tia, numa avó, numa irmã, numa professora, no pai, como bem me lembraram. Mesmo que a maternidade seja todo dia, seja toda hora, mesmo que amar esteja nos detalhes do cotidiano e não nas grandes declarações, mesmo que a cumplicidade se crie na rotina compartilhada e não só em datas festivas, mesmo assim, o todo dia as vezes nos despista de nós mesmos. E pode ser que a gente esteja precisando de um empurrãozinho, de um pretexto para reunir a família, de uma oportunidade, no meio de tanta vitrine, de tanto compromisso, de tanta pressa, de tantos rancores, de tantas certezas, para um encontro amoroso.

Não acho isso só porque os beijos e abraços que eu ganho ainda são espontâneos e porque os presentes que eles criam só pra mim me levam ao céu. Acho isso porque gosto de lembrar, esquecidos que estamos, de honrar e agradecer tudo o que ela é pra mim.

DiadasMãesMatutai

Matutaí, por Vivian Wrona Vainzof, relações afetivas

Ajude um amigo

Entre tantas iniciativas mirabolantes que as escolas promovem tentando suprir os buracos deixados pelas famílias e pela sociedade, na formação de caráter das nossas crianças, hoje uma delas me emocionou.

A história começou quando um grupo de crianças procurou a diretoria da escola, que estava em reunião. Os educadores ouviram bater na porta, abriram e se entreolharam surpresos, deixando o assunto suspenso no ar. Não esperavam encontrar do outro lado, crianças em pleno horário de aula. A diretora teve muita sensibilidade quando acenou com a cabeça, convidando ambas as partes a partilharem daquela cumplicidade. Então as crianças entraram e contaram uma história. Era alguém da sua turma que estava passando por dificuldades emocionais em casa, uma história dura de ouvir, que balançou os corações de quem estava ali. Os adultos desviaram os rostos e disfarçaram os seus fungados, e ninguém sabia dizer se o que mexia mais com eles era a tristeza da história que ouviam ou a beleza da coragem, da sinceridade, do cuidado, da empatia, do amor e do respeito daqueles mensageiros de fé no futuro.borboleta.png

O assunto que estava pairando se aventou pelas frestas da janela e um silêncio denso ocupou toda a sala.

Combinaram de conversar outra vez para planejarem alguma coisa à altura da sua disposição. Mas não puderam retomar a reunião. A grandeza daquele ato, a preocupação das crianças pelos seus iguais, a responsabilidade espontânea com que pegaram para si os problemas dos seus pares, tornou aqueles pequenos, gigantes. Não havia na escola, preocupação maior, naquele dia.

Dali para frente, o grupo solidário virou um polinizador da gentileza. Hoje são beija flores e borboletas em seu levíssimo voo, levando para toda a escola a ideia de cuidar dos amigos. Mas antes, envolveram aquela criança que mais precisava de apoio, para que fosse também parte do grupo. Ajudando os outros, ela recebia a ajuda que merecia e não precisava saber que era ela própria a inspiração para tudo aquilo acontecer.

Essa é daquelas histórias que enchem a vida de perfume de jardim, que nos traz uma brisa de esperança e fazem tudo valer a pena.