Matutaí, matutaí recomenda, por Vivian Wrona Vainzof

Nem sim, Nem não. Essa é a verdadeira educação

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Eu não lembro aonde ia sozinha, quando liguei o rádio do carro e me interessei pela conversa, um papo bom que fui ouvindo, fui ouvindo. Não escutei tanto o que diziam, eu só ouvi o sotaque, que às vezes fala mais alto que tudo. Lembro que tinha alguma coisa de cultura brasileira, de diversidade étnica. Um ouvinte tinha uma dúvida que o entrevistado não conseguiu responder e achei bom demais. Quem é que se permite não saber, assim em público, em rede nacional? No mínimo alguém muito sabido, muito maduro, alguém que me interessaria muito escutar. Mudei a estação cerebral e sintonizei no assunto, pus ali a minha atenção, que raramente pára numa coisa só.

Descobri que era o Pedro Cardoso falando da sua última peça, Nem sim, Nem não, em cartaz no Teatro ShoppingMorumbi em São Paulo, que ele diz que é para todos os públicos porque “se é para criança, então interessa a todo mundo”. Há quem pense que o infantil não interessa aos adultos porque é fácil, é fraco ou é pouco para quem já cresceu e aprendeu mais. Mas para o Pedro e a Graziella Moretto, esposa e parceira nesse projeto, “a fase mais inteligente da vida é a infância e a dificuldade que o adulto tem de falar com a criança é porque ele emburreceu, de uma certa maneira”. Ah, Pedro, assim você ganha o meu coração…

A peça conta a história de uma moça que trabalha em dois lugares ao mesmo tempo: uma casa onde pode tudo, e outra onde nada pode. Dois extremos que refletem uma atitude frequente dos pais que, ora proíbem tudo, porque acham que isso é educar, e ora permitem tudo, porque desistiram de brigar.

Penso que educar, na verdade, é ponderação. Qualquer posição radical nos tira a chance de pensar, de reconsiderar, quando o que ajuda uma pessoa a amadurecer são os recursos que ela adquire para poder contestar. “Resposta fixa é uma tolice”, dizia o Pedro. “Almoçar assistindo televisão todo dia, não pode, mas se for a final da copa, pode!”.

Acho que pode sim. Para mim é difícil encontrar o ponto, não deixar desandar, não entornar o caldo. Mas concordo com o Pedro que é preciso dosar. “O equilíbrio não é a oposição de forças que se anulam, mas a alternância de forças que se complementam”, não era isso, Pedro Cardoso?

Na minha família meu equilíbrio se chama pai. Na rigidez de mãe ele é tolerante, para nervos ele tem calma, quando mãe é pressa ele é preguiça, se há impaciência ele é 100% disponibilidade. Depois podemos trocar os papéis e a gangorra não pára. Educar não tem resposta definitiva, não tem ponto final. O aprendizado é o passeio.

O meu próximo é para assistir o Pedro Cardoso falar de temas como maturidade, limites e tolerância, disfarçados de peça infantil.

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livros, Matutaí, matutaí recomenda, por Vivian Tempel Wroclawski

Mente em movimento

Li em poucos dias a história do Ricky, contada no emocionante Movido pela Mente. Ele foi meu contemporâneo de faculdade e a imagem que eu conservava na minha memória era de um moleque animado, cheio de energia, rodeado de amigos, com um copo de cerveja na mão. Do moleque, não parece ter sobrado muita coisa e cerveja é um luxo que ele não pode mais desfrutar. O resto, segue igual.
O Ricky tem ELA, esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada há cerca de 10 anos, quando começou a perder os movimentos das pernas. Hoje ele vive no seu room office, rodeado de aparelhos, cuidadores, e do amor dos amigos e da família, que dão o suporte necessário para ele comandar, apenas com o movimento dos olhos, o maior portal de mobilidade do Brasil. Mobilidade, não acessibilidade. Afinal, porque pensar na sua condição individual, se ele pode usar a potência da sua mente para entregar um mundo melhor para a sociedade?
Virei fã do Ricky e da família dele. Uma família que briga e discute como qualquer outra, que se une, se apoia e redefine prioridades como muitas que passam por grandes turbulências, mas acima de tudo, uma família que escolhe sempre olhar o bom que a vida oferece, como nem tantas outras.
“Eu apenas possuía uma vocação enorme para a felicidade” é uma frase repetida algumas vezes ao longo do enredo. No livro, há uma passagem sobre a obra Arte da Felicidade, escrita por Dalai Lama, onde ele fala sobre cada pessoa ter um nível de felicidade padrão, de rotina. Bons acontecimentos elevam esse patamar levando a sensações passageiras de alegria e satisfação. Da mesma forma, acontecimentos ruins trazem desânimo e tristeza. Ambos passam, e logo voltamos ao nível de felicidade que estamos acostumados.
Fiquei pensando se haveria alguma maneira de ajudar os filhos a terem, como padrão, um nível elevado de felicidade. Se o afeto que oferecemos poderia ter algum impacto, elevando essa barra. Mas no meu devaneio, apenas pude concluir que o que não ajuda é o excesso de oferta de bens materiais. Esses sim, são capazes apenas de gerar sensações passageiras de prazer.
Enquanto degustava o livro, ia compartilhando com meus filhos algumas passagens e alguns desses pensamentos, talvez na esperança de que pudessem dar outra proporção para bobagens do dia-a-dia, ou pelo desejo de que se sentissem tocados pela fraternidade e cumplicidade entre os irmãos, ou quem sabe com o intuito de despertar neles empatia e apresentar um inspirador exemplo de superação, persistência, criatividade e resiliência.
Um dos ensinamentos que incorporei aos diálogos em casa tem a ver com a sensibilidade que o médico teve ao comunicar o diagnóstico da ELA para a família. Ele os orientou a não sofrer antes pelos problemas que iriam surgir, pois teriam a sabedoria para lidar com as situações a cada nova limitação que aparecesse. Buscar aconselhar as crianças a não sofrerem por antecedência, é algo que eu já praticava, mas a segurança de que terão sabedoria para lidar com cada situação, dará outra perspectiva para a coisa.
Ter um olhar positivo para a vida, lutar pelos sonhos, levantar depois das quedas, levar o outro em consideração, cultivar amigos, ter prazer em estar em família, acreditar em si mesmo, batalhar por um mundo melhor, são alguns dos importantes aprendizados que o Ricky trouxe para mim. Espero ter a sabedoria de viver com esse norte e de inspirar meus filhos para que escolham viver assim também, sem que seja necessário receber uma notícia trágica para valorizar nosso padrão de felicidade.rickyribeiro.png
dicas, leitura, matutaí recomenda, por Vivian Wrona Vainzof

O doce compasso de espera

Que surpresa foi abrir aquela caixa de papelão que chegou na portaria, cheirando a papel e tinta, com uma carta pessoal. Essa é uma das coisas que me fazem sorrir por dentro, junto com algumas outras tão simples quanto essa. Escrever e ler cartas sempre me deu um prazer estranho. Aos 13 anos eu tive uma amiga por correspondência, americana de Indiana, dessas que a gente nunca chega a conhecer. Já não consigo me lembrar se o nome dela era Charlote ou Nicole ou um outro bem sonoro assim, mas sei que nos correspondemos por meses, só pra que eu pudesse postar e receber alguma coisa no correio todas as semanas. Talvez tenha sido essa nostálgica emoção, tão rara atualmente, o que mais aguçou os meus sentidos quando recebi a encomenda.

Eu ainda usei o e-mail como correspondência de verdade nos primórdios da sua existência, antes das mensagens instantâneas, mas não há nada como escolher papel de carta e envelope, a cor da caneta, a letra de mão, a compra do selo na banca de jornal, a visita à caixinha amarela na esquina, com seu poste azul e uma fenda de ar um pouco zombeteiro, rindo do caminho sem volta e sem garantia. Por isso valorizei a entrega.
Carreguei a caixa comigo sem abrir, só para alargar a sensação. Tinha umas coisas a fazer na rua e a caixa foi comigo, assistiu tudo de perto sem dizer nada, sem mostrar a que veio, tapada que era… ou estava. Só mais tarde eu me acomodei no quarto e, num ato quase solene, fui abrindo devagar, pra degustar aquela abertura. Eu sabia o que encontraria dentro da caixa, mas também queria ver o que mais eu encontraria.
 Li primeiro a cartinha endereçada a mim, que parecia ter sido escrita em sussurro, só pra mim. Depois vi uma revista, fina mas caprichada, impressa em papel macio, falando sobre o autor da obra. Por fim, num estojo de lona estampada, com velcro no fecho, encontrei o livro Quase Memória, do Carlos Heitor Cony, numa edição superexclusiva, que terminei em poucas semanas, ja antecipando como seria a próxima caixa que ia chegar na portaria, no mês seguinte.
Penso no tempo, na espera e em quantas coisas não temos conseguido esperar. A vida segue em via expressa, de prazeres ligeiros e instantâneos, de olho no que está por vir. Será que é por isso que a leitura ficou tão penosa nessa geração? Como trocar a excitação de estar conectado com o mundo inteiro, por um momento de conexão pessoal dentro um livro longo, ou curto até, mas que convida ao encontro individual, silencioso, profundo? Uma mãe revelou uma estratégia bem criativa para convocar os filhos à leitura prazeirosa: “A senha do wi-fi desta semana é a cor do vestido de Anna Karenina no livro. Eu disse o livro, não o filme!! Boa sorte! Mamãe”, ela escreveu em um pedaço de papel.
Achei a ideia divertida. Será que funciona?
Por isso tudo é que foi tão inesperado que o Adoletra, clube de assinatura literária para crianças, tivesse a generosidade de oferecer à Matutaí um petisco desses para os nossos filhos, no mesmo momento em que eu refletia a esse respeito. Recebemos com sorrisos por dentro e por fora! Cada criança ganhou um livro selecionado a dedo, pensado para a idade deles e com uma cartinha pessoal explicando a escolha e tudo o mais. Surpresa boa! As crianças adoraram. Pude dar a elas o gostinho perdido do correio. Se eles se animarem, têm todo o meu apoio para escrever de volta agradecendo, contando o que acharam. Espero que a leitura dos livros que chegaram e que lemos juntos, não sejam experiência antiquada como as visitas ao correio.
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Convidados Matutaí, livros, matutaí recomenda, por Vivian Wrona Vainzof, Receitas

Cozinhando com o Pediatra

Dizem que livro é o alimento da alma. Muito bem, ler é um dos meus hobbies favoritos e meus filhos têm se mostrado pequenos devoradores de livros, também, o que me dá uma satisfação que nem sei explicar. Fico de alma saciada!

Quanto à alimentação deles, porém, já não posso encher a boca pra falar…

Comer bem também está entre as coisas que mais gosto de fazer na vida mas, nesse caso, meus exemplos não seguiram a mesma receita. As refeições por aqui mais parecem angu com caroço, tamanho o estresse que se criou em torno da mesa.

Em tempos de Bela Gil, e outros radicais se espinafrando na internet e fora dela, e de mães que vivem equilibrando pratos (saudáveis e balanceados, por favor!) para tentar dar conta de acertar sempre, o livro Cozinhando com o Pediatra (ed. Benvirá) surgiu como um doce consolo. O autor é o pediatra antroposófico Sergio Spalter. Ele acredita que a alimentação tem relação direta com a nossa saúde e explica por que algumas crianças têm dificuldades na hora de se alimentar: porque estamos apressados demais para prestar atenção na refeição, nos sabores de cada alimento, nas preferências individuais e mesmo na fome, na hora de comer. Essas podem ser boas razões para explicar o apetite aguado dos pequenos, distraídos com outros estímulos, com excessos de temperos artificiais, desacostumados com o sabor natural dos alimentos. Sérgio sugere que a refeição seja um momento agradável, de pausa, com a oferta de produtos frescos, e que possa conectar a família.

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Mais que um livro de receitas, este é um guia culinário com perfume da horta, com barulho de panelas na cozinha. Recheado de receitas de dar água na boca e mais fáceis de fazer do que mamão com açúcar.

Recomendo a leitura. É um manjar dos deuses pra alma.

filme, infância, Matutaí, matutaí recomenda, por Vivian Wrona Vainzof

O começo da vida

Eu não sou a irmã mais velha na minha família, nem fui aquela prima ou amiga maternal, cuidadora, nada disso. Mesmo assim, comecei a ser mãe bem antes de engravidar. Carreguei uma antecipação pela chegada de filhos, desde um tempo primordial. Ser mãe sempre esteve em mim.

Genética? Quem sabe?

Estudiosos participantes do filme O começo da vida – uma produção da Maria Farinha Filmes, com direção da Estela Renner – asseguram, porém, que nossa atuação como pais é, sim, hereditária. A forma como fomos tratados na infância afeta a expressão dos genes que determinam esse comportamento, e isso talvez explique muita coisa.

 

Antes mesmo de vir ao mundo nós já começamos a registrar as vibrações do ambiente, sendo capazes de reconhecer, assim que nascemos, a voz ou a batida do coração da mãe. O vínculo já começa a se estabelecer quando estamos ainda no útero.

A psicóloga Vera Iaconelli (convidada da Matutaí para abrir a nossa Roda de Encontros, que começa dia 29.8 em São Paulo) está no elenco e explica, no filme, que “o bebê nasce com competências sensacionais para enganchar o outro numa relação de investimento afetivo tremenda”. O afeto é a cola das conexões cerebrais, por isso, “a potência do olhar de uma mãe amorosa para o seu filho, e de um filho para uma mãe, é de uma magnitude cósmica. Desse olhar profundo é que essa criança se forma”. (Vera cordeiro)

“Quando os pais se preocupam em comprar para os filhos brinquedos caros, iPads ou iPhones, gosto de dizer a eles que a coisa mais importante na vida dessa criança são vocês. São as coisas que vêm de graça que importam: suas palavras, seu amor, sua brincadeira, a conexão que você constrói com seus filhos faz toda a diferença do mundo”. (Patrícia K. Kühl)

Nascemos com uma infinidade de pequenas vias de conexão cerebral “como Paris antiga: com milhões de ruazinhas se espalhando em diferentes direções, com muitos percursos e muitas conexões possíveis”, como ilustrou Alison Gopnik, e as nossas experiências emocionais vão moldando essa arquitetura desde muito cedo. “Os caminhos que forem mais utilizados se mantém e os menos utilizados desaparecem”. Se a vida apresentar experiências suficientemente desafiadoras, nem tão fáceis e nem insuportavelmente frustrantes, elas promovem desenvolvimento e fortalecem a auto-estima para as próximas aventuras infantis – e mesmo as adultas! Nos bebês, essa plasticidades do cérebro é tamanha, que sua capacidade de adaptação sempre nos surpreende e nos joga de novo a responsabilidade de criá-los com tanta consciência, dedicação, interesse e cuidado.

O documentário apresenta, com enorme sensibilidade, as descobertas científicas das últimas décadas com relação ao desenvolvimento infantil, reforçando a importância do ambiente, da cultura e da sociedade nesse processo. Provoca os pais do mundo todo a repensarem a qualidade dessas relações e todas as suas consequências, não apenas nas suas famílias, mas na própria humanidade.

Mas o filme é só o começo. A ação, na vida real, é nossa. Sem luzes e sem câmera, só com o coração.

 

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5 princípios indispensáveis para cuidar da rivalidade entre irmãos

O livro Irmãos sem Rivalidade, das autoras Adele Faber e Elaine Maslish, propoe soluções pacíficas para lidar com as disputas entre irmãos. O mais interessante é que ele abre nossos olhos para o fato de que o conflito é necessário para o desenvolvimento infantil. Disputas e desentendimentos sempre existirão. Ignorar esse fato e todas as suas consequências, como as raivas, as mágoas, até as vitórias que imprimem um senso de superioridade em alguma das partes podem ter consequências perigosas e muito mais duradouras.irmaossemrivalidadePara lidar com essas situações que parecem sem saída, as autoras destacam algumas atitudes que podem ajudar a amenizar as brigas dentro de casa:

  1. Empatia: compreender e acolher a causa dos conflitos é a porta de entrada para a solução. Os sentimentos de raiva e tristeza que as crianças sentem são legítimos e precisam ser validados. Em vez de apartar as brigas ao primeiro sinal de faísca, é mais eficiente trazer consciência e nomear as emoções. Quando ouvir um filho dizer, com muita raiva: “Vou matar o Pedro! Ele pegou minha bicicleta nova!”, no lugar de reprimir, sugira: “você ficou furioso. Esperava que seu irmão te pedisse permissão antes de usar suas coisas. Você deveria dizer isso a ele.” A empatia aproxima e promove a confiança como um passe de mágica, ao passo que a repreensão enfurecer ainda mais.
  2. Nada de rótulos: as crianças ocupam os lugares “vagos” ou aqueles que acreditam que sejam os seus. Se um filho é muito bom aluno ou muito habilidoso nos esportes, é possível que outro, na impossibilidade de se igualar, prefira o extremo oposto. Outras vezes, criamos um script sem nem perceber, com frases como “o mais velho é tão organizado e o outro, um furacão”, ou “esse aqui é tímido demais, enquanto aquele, uma matraca, fala pelos dois”. Quando reforçamos os rótulos, aprisionamos as crianças (de ambos os lados do conflito) em papéis que elas se vêem obrigadas a desempenhar. Quando ouvir: “eu sou muito burro, nunca consigo fazer a minha lição sozinho.” Sugira: “vejo que você se esforça muito e está aprendendo bastante. Tenho certeza que sua professora ficará satisfeita. Você também deveria ficar.”
  3. Pai não tem partido: é comum que as brigas tenham um agressor e uma vítima, a quem logo corremos para acudir. Esse julgamento pode ser injusto e ainda potencializar as raivas e reforçar o papéis fixos de cada uma das partes. É valioso considerar que as causas que desencadeiam os conflitos podem não ser evidentes. O agressor tem sempre as suas razões, ainda que ele mesmo não reconheça ou compreenda. Pode ser algo tão antigo ou tão profundo que corremos o risco de desprezar, reforçando títulos como “agressivo” ou “explosivo”. Na verdade, essa criança precisa de acolhimento e compreensão. Com apoio e reconhecimento, é mais provável que consiga se livrar da repetição do comportamento. Ou seja, antes de apontar culpados, vale a pena ouvir as versões de cada um, de forma imparcial, encorajando as crianças a encontrarem, sozinhas, uma solução. Quando ouvir-se dizendo: “quem começou?” ou “por que você sempre atrapalha a sua irmã?” Reflita em voz alta: “vejo que querem brincar com esse brinquedo ao mesmo tempo. Uma situação difícil, como pensam em resolver de uma forma boa para todos?” Assim, todos se escutam, eliminam mal entendidos e se sentem respeitados. Os adultos não precisam resolver as questões e sim abrir o canal de comunicação para que eles possam se relacionar uns com os outros.
  4. Sem comparação: fazer comparações entre os filhos contribui enormemente para a rivalidade entre eles. É delicioso conhecer cada um deles e valorizar sua individualidade de forma absoluta, sem enquadrá-los nas referências que conhecemos. Se um filho é mais ágil e apressado e o outro mais vagaroso; se um filho é voraz e o outro inapetente; se um filho é criativo e divertido e o outro mais introspectivo, essas são suas personalidades. Tentar nivelar todos pela mesma régua, como se apenas uma forma seja merecedora de elogios é uma agressão e incita a eterna competição entre eles. Quando ouvir-se dizendo: “você é sempre tão pontual, gostaria que seu irmão aprendesse isso com você”, descreva o fato sem referências aos outros: “sua aula começa em 20 minutos e você já está pronto, que bom! Isso facilita a vida para mim e para você.”
  5. Todo filho é único:é fácil tropeçar na tentativa de oferecer a mesma coisa a todos os filhos quando, na verdade, a necessidade de cada criança é única. Tentamos equiparar tudo porque parece ser o mais justo a fazer. Não é! Cada criança tem seu tempo, suas habilidades e seus interesses. O resultado são crianças insatisfeitas, incapazes de atender a todas as expectativas e mães igualmente frustradas. É mais fácil garantir que todos sejam cuidados e atendidos plenamente, em toda a sua necessidade, sem preocupação com a grama do vizinho. Quando ouvir: “você já ficou meia hora com ele! Agora é a minha vez!” Sugira: “estamos lendo um livro e já estamos quase no fim. Quando acabar, vou querer ouvir toda a história que quer me contar, sem precisar olhar no relógio.” Se a criança se sente inteiramente valorizada, não precisa provocar ou chamar a atenção. A entrega desigual, de acordo com o que cada um precisa em momento diferente, é uma forma libertadora de ser justo com os filhos.

Ainda que irmãos não sejam os melhores amigos desse mundo, precisamos ensinar tolerância e respeito acima de tudo. Viver sob o mesmo teto e conviver pelo resto da vida é um desafio, e a disputa pela atenção e o reconhecimento dos pais gera tensão constante. Por esse motivo, podemos exigir que as crianças sejam, ao menos, pacíficas. Nossa missão nesse ambiente é criar um ninho onde todos se acomodem, com suas qualidades e defeitos e todas as suas diferenças, assegurando que todos terão o cuidado e o amor na exata medida de quanto precisam.

Convidados Matutaí, matutaí recomenda

A Inteligência Emocional das Crianças

Para nós, adultos, é tão difícil lidar com as emoções, que acabamos criando obstáculos para falar disso com as crianças. Queremos sorrisos, satisfação e alegria, desvalorizando as emoções contrárias ao estado que costumamos ver como ideal.

Ao mesmo tempo, acreditamos que o desenvolvimento das crianças envolve tantas habilidades e capacidades, que damos pouquíssima atenção para o seu desenvolvimento emocional.

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Selma Bonassi, psicóloga, terapeuta e idealizadora da Mandala Integral Parenting, publicou esse texto no portal Namu sobre a Inteligência Emocional das crianças, e traz uma luz sobre a importância de desembaralhar as nossas emoções.

Reconhecer o que sentimos pode abrir belos caminhos por dentro da gente, para compreender, suportar, superar e, principalmente, ensinar isso aos nossos filhos, para que cresçam mais conscientes do que é que os move.

A Selma é parceira da Matutaí e é uma das pessoas mais delicadas que se pode ouvir.