amor, casamento, Família, irmãos

Lar doce lar

Li recentemente divulgação do IBGE sobre o número alarmante de divórcios no Brasil. Cai a taxa de casamentos e sobe a de separações. Ano após ano recebemos esta informação com assombro. Mas se é um movimento conhecido e, portanto, previsível, por que nos surpreendemos com a notícia? Será que a expectativa revela a porção romântica de todos nós? Será que a fé no amor eterno até que a morte nos separe é a cara de uma sociedade que ainda acredita na família como base central da sua existência, apesar da realidade acenar o contrário. Com todo o meu romantismo canceriano, espero que sim.
Uma vez ouvi uma das declarações mais lindas de que consigo lembrar: numa grande festa de celebração familiar, o marido agradeceu à esposa: obrigado por eu gostar de voltar pra casa todos os dias.
Gosto de pensar nisso. Espero que meus filhos possam sentir assim quando terminam a aula, ou meu marido, no fim de seus longos dias de trabalho. Também respiro fundo quando embico meu carro no portão da garagem e me oxigeno, para que o encontro em família não se torne um enorme desencontro de desejos e expectativas que a rotina foi minando discretamente, enquanto todos dormiam.
Quero crer que mantenho um lar doce lar. Um ambiente acolhedor e agradável onde a mãe não é uma geladeira velha, imprescindível só quando pifa; onde filhos contribuem com autonomia e, mesmo se não tiverem prazer nisso, pelo meno que o façam com  responsabilidade e consideração. Onde irmãos estão lá uns para os outros, sem essa de “não fui eu”. Onde há disponibilidade para ouvir e enxergar os outros sem rivalidade ou vinganças.
Onde há espaço para cada um ser um sujeito inteiro na constituição do casal e que se fortaleçam com isso. Onde possamos nos olhar nos olhos com sinceridade para dizer o que somos.
Não quero parecer indelicada com os dados do IBGE mas ainda acredito que cabe a nós evitar essa queda do penhasco.
luiz_hanns