educação, isabelle borges, Matutaí, reflexão, relações afetivas

Medo de errar

E se eu errar? E se eu não conseguir? E o que vão pensar de mim?

Você já se deparou com alguma dessas perguntas? Por que será que temos tanto medo do erro? E considerando que não podemos viver sem ele (porque, sobretudo, somos humanos) como podemos lidar com esse medo?

Costumo brincar que estamos na sociedade do corretor automático. Como as palavras que se consertam sozinhas em uma mensagem, nós queremos que as pessoas se consertem, não permitindo o tempo e nem a possibilidade do erro, porque ele precisa ser eliminado e não visto.

O olhar sobre o erro tem a ver com nossa história, com a forma que damos significado a ele. Podemos pensar, por exemplo, quando éramos crianças e brincávamos de dança das cadeiras. Quem errava estava fora do jogo. Muitas brincadeiras são construídas com essa estrutura e de algum modo o erro se associa àquilo que te afasta da conquista, quando ele pode ser justamente aquilo que te leva até ela.

O medo de errar está muito associado ao medo da culpa e do julgamento. Crescemos em uma estrutura que nos culpabiliza quando erramos e o peso da culpa é muito difícil de aguentar. Não queremos ter que lidar com isso.

Mas a culpa paralisa e não nos permite avançar. Ela vive de passado e não te coloca em posição de liderança para agir. Sempre procuramos culpado pra tudo, porque ninguém quer sustentar o peso do erro. Nunca agradecemos àqueles que erram. Muitas vezes deveríamos ter gratidão ao “errador” porque a ação dele pode nos possibilitar a rever o mundo e evoluir.

Não é um lugar de venerar o erro e negar as coisas ruins que possam vir com ele, mas sim olhá-lo em toda sua completude. O exercício é de gerenciar o erro e não eliminá-lo.

Nesse contexto, as crianças saem muito prejudicadas, pois elas estão em uma descoberta humana que é inerente ao erro e não possuem muitos recursos para gerenciá-los. Nós adultos, diversas vezes, ao invés de ajudá-las a desenvolverem ferramentas para lidar com os erros e seus ensinamentos, temos uma reação de gerar culpa na criança, acreditando que de algum modo ela não errará mais. O erro é usado como algo a ser punido e arrumado e não algo a ser aprendido. Trocar a culpa pelo aprendizado é o grande desafio.

Muitos de nós crescemos nesse cenário, desenvolvemos o medo de errar e continuamos reproduzindo padrões. O erro só é inútil e um peso se você negá-lo, jogá-lo pra outro ou não reconhecer a potência criadora que existe nele.

Há três pontos cruciais sobre o erro e o medo de errar:

  1. Aceitar que suas escolhas e ações são passíveis de erro, porque você está aqui nesse mundo em processo de desenvolvimento humano e que seu erro não muda sua essência;
  2. Temos a tendência de defender que quando erramos foi sem querer, mas quando o outro erra, eu o julgo e o culpo. Para já com isso! Sem perceber você retroalimenta um sistema de erro-culpa e não permite que o outro possa aprender e enxergar a possibilidade de desenvolvimento. Isso também volta pra você e atrapalha seu processo evolutivo.
  3. Ressignificar o erro: olhar na cara do erro e perguntar “Ei você, o que veio me ensinar?”. Perceber que ele pode te ajudar a subir um (ou vários) degraus no processo de desenvolvimento humano. Que ele tem a potência de lhe aproximar daquilo que deseja se você olhar pra frente e ver como a partir dali pode ser diferente.

Se permitir ser vulnerável e reconhecer sua humanidade te fortalece e te possibilita arriscar a ser quem se é, permitindo sua capacidade de criação e de realização no mundo.

medodoerro

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