por Vivian Wrona Vainzof, relações afetivas

Simples assim

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“Não escreva para aparecer, escreva por não se conter”, recomenda o escritor Marcio Vassallo, e com essa reflexão, retomo as minhas escritas nesse início de ano.
Numa época em que tantas pessoas se mostram o tempo todo, se expor ganhou nova conotação. Não trata-se mais tanto de se apresentar e correr o risco de se revelar. Pelo contrário, a exibição atualmente é boa forma de proteção. Hoje é possível escolher os melhores ângulos, versões, retoques, num movimento um tanto incômodo. O que se vê é uma faceta. Impossível saber o que vai além da superfície.
Publico semanalmente crônicas sobre educação e as relações com os filhos. São relatos muito pessoais de situações fáceis ou difíceis que me fizeram pensar. Mas quanto de mim será que escondo nas linhas? E quanto entrego nas entrelinhas?
Não suponho agradar a todos que me leem. Não pretendo atrair incontáveis fãs que curtem minhas postagens sem sequer refletir sobre as questões que mais me perturbam e me deslocam. Seria superficial demais, tal qual Narciso em seu mergulho no espelho.
Mas o que sinto e vejo e acho sobre a maternidade e a criação dos nossos filhos, às vezes não cabe em mim. O que vivo e planto e colho em casa com meus meninos quase sempre é maior que eu, é mais do que posso dar conta de digerir e por isso transborda. É quando começo a busca pelas palavras mais precisas, mais afiadas na tradução das minhas impressões. As palavras me salvam, quando me contam o que eu não havia apreendido. Por isso escrevo. E se me mostro é porque não posso evitar ser quem sou.
Palavras, Muitas Palavras é um livro da Ruth Rocha que eu lia quando pequena e que apresentei aos meus filhos assim que começaram a arranhar suas primeiras leituras autônomas. Não é um livro de história, não tem enredo, nem moralismo, nem mensagem subliminar, apenas uma deliciosa coreografia de palavras. Se mostra por inteiro numa simplicidade sem fim.
Esse é o meu desejo para 2018: que as relações sejam mais puras e plenas, mais limpas, mais leves, mais sinceras e profundas, sem disfarces, sem rodeios, sem Photoshop, sem ranking, sem véus sem salto alto. E que possamos nos olhar mais nos olhos e nos mostrar uns aos outros desarmados, mais amados, só porque não demos conta de que não fosse assim.

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